domingo, 15 de abril de 2012


APENAS ESCREVER  ( RICARDO ROSSI )



escrever é tão natural como respirar
eu não penso quando respiro
eu não penso quando escrevo

mas as vezes tenho a cara n`agua.

quando eu era menino tinha uma bicicleta e um mundo a minha frente

um dia a bicicleta foi embora ... o mundo ficou a minha frente.

tenho vontade de acender  meia vela a nossa senhora da boa morte,

a outra metade a nossa senhora da boa sorte.

pensar em escrever é como ter a cara na água

é difícil por no papel o que se tem na cabeça,

o que se tem no coração vai ao papel como o brilho de um relâmpago.

sem ideias arquitetadas, apenas palavras que brotam como sementes

e germinam e florescem e frutificam e fazem todo o sentido da vida nelas.



S.C. do Sul   15/04/2012  17:13h



Ricardo Rossi

Sem guardar saudades ( Ricardo Rossi )



Os anos, quando passam pelas janelas do nosso olhar
nos trazem mais saudades e menos alegrias,

sinto saudades de um tempo em que eu era a alegria no olhar!

Eu desconhecia o tempo e seus valores, a vida passava doce... mesmo em suas tristezas.
meu coração era mais puro e ingênuo, meus olhos brilhavam diante da vida.

Hoje meu olhar vê as lembranças que o tempo amarrou no passado,
e a cada dia ficam mais distantes de mim...

um dia esquecerei as doces lembranças... o tempo as escondera.
Minha memória será retida no instante presente,

esquecerei as saudades e a ingenuidade pura que um tempo morou em meu coração.
Serei então apenas um homem que caminha por este mundo,

o mundo será um lugar sem mistério e a vida o passar do tempo.
Não conto o tempo, apenas o vejo passar diante de mim,

ele se repete no giro do relógio, nas estações do ano, nas folhas do calendário.
Apenas se repete, sem mistérios...  sem guardar saudades.



S.C. do Sul  15/04/2012  8:08 h



Ricardo Rossi

sábado, 14 de abril de 2012


PERDÃO ( RICARDO ROSSI )

No momento  em que tenha que pedir perdão a vida que tive,
pedirei perdão ao por do sol que esqueci,
a flor que me passou despercebida,
ao amigo que não conheci,

as palavras que calei quando a voz se fazia necessária,
as omissões que pratiquei de mim comigo mesmo,
as que pratiquei aos meus semelhantes,
as que tive diante da natureza.

Sou humano e me escondo na fraqueza humana,
mas não há perdão ao que se esconde na fraqueza.
Pedirei perdão ao momento que baixei minha visão
quando existia um horizonte à minha frente.

Pedirei perdão as minhas mãos...
quando eu as retive e poderia estende-las,
ao tempo que derramei inútil e o poderia
ter-lhe  dedicado a vida.

No momento  em que tenha que pedir perdão a vida que tive,
estenderei minhas mãos, erguerei meus olhos
para um horizonte que não conheço,
serei então infinitamente livre de todos os pecados que carreguei.



S.C. do Sul  14/04/2012 10:10h

Ricardo Rossi




terça-feira, 10 de abril de 2012


Coisas do Mundo, Minha Nêga ( Paulinho da viola )


Hoje eu vim, minha nega como veio quando posso

Na boca as mesmas palavras, no peito o mesmo remorso

Nas mãos a mesma viola onde gravei o teu nome

Venho do samba há tempo, nega, vim parando por aí

Primeiro achei Zé Fuleiro que me falou de doença

Que a sorte nunca lhe chega, está sem amor e sem dinheiro

Perguntou se eu não dispunha de algum que pudesse dar

Puxei então da viola, cantei um samba pra ele

Foi um samba sincopado que zombou do seu azar

Hoje eu vim, minha nega, andar contigo no espaço

Tentar fazer em seus braços um samba puro de amor

Sem melodia ou palavra pra não perder o valor

Depois encontrei seu Bento, nega, que bebeu a noite inteira

Estirou-se na calçada sem ter vontade qualquer

Esqueceu do compromisso que assumiu com a mulher

Não chegar de madrugada, e não beber mais cachaça

Ela fez até promessa, pagou e se arrependeu

Cantei um samba pra ele, que sorriu e adormeceu

Hoje eu vim, minha nega, querendo aquele sorriso

Que tu entregas pro céu quando te aperto em meus braço

Guarda bem minha viola, meu amor e meu cansaço

Por fim eu achei um corpo, nega, iluminado ao redo
Disseram que foi bobagem, um queria ser melhor
Não foi amor nem dinheiro a causa da discussão
Foi apenas um pandeiro que depois ficou no chão

Não tirei minha viola, parei, olhei e vim-me embora
Ninguém compreenderia um samba naquela hora
Hoje eu vim, minha nega, sem saber nada da vida
Querendo aprender contigo a forma de se viver
As coisas estão no mundo só que eu preciso aprender.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012


Que outros falem o que calei  ( RICARDO ROSSI )



Que outros falem o que calei...
Já não me importa horizontes,
levo comigo este corpo com que nasci,
dou lhe cuidados ( AS VEZES ),
e tudo diante de mim é o cenário do teatro da minha existência,
existir as vezes me cansa ... porque carrego comigo este  corpo e ele me pesa na alma.
ser eu  é adivinhar meus pensamentos, desconheço meus pensamentos,
minha opinião muda a cada instante... não tenho opinião sobre nada.
Existir  é uma arte que não domino, estou presente pela circunstância dos encontros,
as conjunções físicas de muitos encontros  me fizeram presente,
não me coube a escolha!
Assim seguirei,  sem ter controle nem mapa ou bússola do meu destino.
E o horizonte diante dos meus olhos? O que me importa o horizonte!
O herói é herói e o covarde é covarde apenas pelo acaso,
o momento propicia o heroísmo ou a covardia em uma mesma proporção.
O ímpeto nos impele a fazer o que fazemos... não pensamos, apenas agimos pela circunstância,
quando pensamos nos prendemos ao discurso ( pessoal ou publico ) nos perdemos no discurso.
as palavras nos levam a gloria ou a desgraça,

que outros falem o que calei !



S. C. do Sul  20/02/2012      10:50h



Ricardo Rossi

sábado, 18 de fevereiro de 2012


VELHOS AMIGOS  ( RICARDO ROSSI )

As pessoas não amam a Deus, elas temem a Deus...
É isto um grande drama ! Amar é terno quente e intimo.
Deus não se apresentou a mim, ele é o desconhecido e imaginário
a quem devo temer para ter lugar no paraíso eterno.
Mas é patético o eterno e sem razão, o paraíso é chato feito de coisas perfeitas,
o imperfeito lá não existe, e tudo é perfeitamente triste e sem razão.
A eternidade é o castigo a quem teme a Deus.
Prefiro amar a Deus como amo a um velho amigo,
e meu velho amigo é imperfeito, ele fuma as vezes bebe e fica a olhar as bundas das mulheres,
e diz palavrões e diz ternuras e se desconhece porque nele o novo e inesperado acontecem.
Amo o sol quando faz sol e a chuva quando chove e lava a terra e da um cheiro bom as coisas,
amo as noites e as estrelas e as pessoas que caminham pela noite a procura de nada.
Não desejo mal a ninguém, não quero magoar, ofender, ser superior ou altivo.
Sou igual aos meus semelhantes e as pedras.
Desejo que meus semelhantes e as pedras não queiram me magoar.

Às vezes caminho pelas ruas da minha cidade ou de onde eu esteja na esperança de encontrar Deus;  e que ele se aproxime de mim e me diga... Sou Deus e vim te fazer companhia, porque sou Deus e às vezes sou triste de ser Deus e soberano sobre todas as coisas, é chato cuidar de todas as coisas, me escravizo a elas para manter minha divindade, é triste ser divino e totalmente correto e julgar a tudo e dar sentenças...  E eu desconheço o meu inicio e não terei fim, porque a eternidade está comigo e serei eternamente Deus.

E Deus caminha comigo... por um instante mágico ele se torna imperfeito e íntimo e quente e neste instante de magia nos amamos feito velhos amigos.
Não importa o que falemos, ou ficaremos em silêncio a caminhar pelas ruas e ver as pessoas que caminham pelas ruas, e todas as coisas e todos os seres livres da proteção divina e escravizadora, porque Deus agora é humano e está comigo.



S.C. do Sul  18/02/2012    09:58h



Ricardo Rossi

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Silêncio ( RICARDO ROSSI )

Afinal me deixo no silêncio.
O silêncio me diz tudo que preciso ouvir,
são puras as sabedorias que o silêncio me dá,
nada me diz porque não ha nada a dizer.


As pessoas tecem seus discursos,
as pessoas se perdem em seus discursos,
as pessoas não praticam seus discursos,
e seus discursos morrem no abismo que existe entre ele e a atitude.


Eu  exprimo o meu discursos patético,
vejo ele seguir rumo ao abismo,
se lança ao abismo e cai no vazio.
Meu silêncio tem mais verdades!

S.C. do Sul   01/02/2012    14:57h

Ricardo Rossi