sábado, 13 de agosto de 2011

UM MOTIVO ( RICARDO ROSSI )

As vezes, as palavras fervem em minha boca,
mas gelam em meu coração,
e sufocam-se na minha alma.
As vezes, há mais luz em meu olhar que no sol do meio-dia,
mas apaga-se em meu ver,
e torna breu o meu pensar.
As vezes, me amo e admiro,
mas me encontro e fico triste,
a saber que em quem penso ser, não existe.
Não trago flores em minhas mãos,
nem é firme meu caminhar,
e perdido em minhas palavras, tento eu me explicar.
As horas andam comigo,
e não tenho eu mais amigos.
e mergulho no silêncio de mim, a buscar no que ainda pulsa,
um motivo... só um motivo e nada mais.

S. Caetano do Sul 13/08/2011 20:39h

Ricardo Rossi

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O Passado é o Presente na Lembrança ( Fernando Pessoa )

Se recordo quem fui, outrem me vejo,
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
Porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
Não é de mim nem do passado visto,
Senão de quem habito
Por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
Que quem sou e quem fui
São sonhos diferentes.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de agosto de 2011

As vezes me perco ( RICARDO ROSSI )

As vezes me perco em meu próprio sentir,
E busco encontrar-me tal como me perdi,
Mas sei impossível reencontrar-me como antes
Meu coração muda em seu sentir, e meus olhos mudam em seu olhar.
Quando mais alem me encontro... não mais conheço-me.
Estranho em meu ser, sou o eu de agora,
E no depois mais estranho estarei em mim.
Assim sigo ao adiante que vem em meu caminho.
Sem saber o quanto amarei ao que no futuro me fará em EU.
O que importa... ao futuro se reserva o que hoje nos é desconhecido.
É como abrir uma cortina que nunca antes,
É como caminhar por um caminho que nunca antes,
É como aprender palavras e sentimentos que nunca antes...
Assim serei no eu que ainda não conheço... meu intimo desconhecido!

S.C.do Sul 09/08/2011 17:54h
Ricardo Rossi

Quando eu não te tinha... (FERNANDO PESSOA)

Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo...
Agora Amo a Natureza como um monge calmo a Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até a beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor — Tu não me tiraste a Natureza...
Tu mudaste a Natureza...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim.
Por tu existires, vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e para te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as coisas.
Não me arrependo do que fui outrora
Por que ainda o sou.


(Alberto Caeiro) ( Fernando Pessoa )




sábado, 25 de junho de 2011

O medo que sinto de mim mesmo ( Ricardo Rossi )

Não gosto de não gostar das coisas,
quando não gosto de alguém a quem conheço neste instante,
é porque amarei este alguém, em um futuro que não conheço.
Ter valores pré-determinado na vida, é algo estranho.
Como saber as coisas sem se expor a elas?
Não gostar das coisas é o modo que usamos a nos proteger,
é triste gostar das coisas que não mais estão ao alcance das mãos,
assim como é triste gostar de pessoas que não estão mais ao alcance da nossa voz,
a voz se perde no vazio a frente, e lembranças tristes ou belas nos visitam a memória.
Quando não gosto das coisas é por pura covardia de minha parte!
É a defesa imediata que me permite não sentir falta do que eu gosto, ou de quem amo.
meu escudo de não gostar de nada... é o medo que sinto de mim mesmo.

São Caetano do sul 25/06/2011 20:03h
Ricardo Rossi

sábado, 23 de abril de 2011

TIC-TAC ( RICARDO ROSSI )

O amor e a razão, tem caminhos diferentes dentro do ser que chamo EU.
As vezes noto que falta tempo para mim mesmo,
Me esqueço porque tenho ocupações maiores!
Quando ao espelho me vejo, me espanto com o reencontro inesperado
do Eu comigo.
As vezes fico oco sem razão intima que moveria meu olhar para a vida.
E a vida passa por mim sem se importar com o vazio que me permito,
O tic-tac do relógio não para, o pulsar do coração não para, nem o sol para o seu caminho.
O tempo passa... o que perdemos ficou preso na historia do passado,
Não há motivo para chorarmos o passado, tornou-se apenas historia,
Historia que contamos a nós mesmos nas madrugadas insone.
Rever o passado é assistir ao um filme mudo em preto e branco,
Não mudam as cenas... transcorrem como sempre foram.
Esqueci de fazer esperanças ao futuro... aguardo apenas o TIC ou o TAC do próximo instante!


Ricardo Rossi S.C. do Sul 23 abril 2011 11:59h

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O TANGO E A VIDA

Por Una Cabeza


( Alfredo Le Pera)

Por una cabeza
de un noble potrillo
que justo en la raya
afloja al llegar,
y que al regresar
parece decir:
No olvidéis, hermano,
vos sabés, no hay que jugar.
Por una cabeza,
metejón de un día
de aquella coqueta
y risueña mujer,
que al jurar sonriendo
el amor que está mintiendo,
quema en una hoguera
todo mi querer.


Por una cabeza,
todas las locuras.
Su boca que besa,
borra la tristeza,
calma la amargura.
Por una cabeza,
si ella me olvida
qué importa perderme
mil veces la vida,
para qué vivir.

Cuántos desengaños,
por una cabeza.
Yo jugué mil veces,
no vuelvo a insistir.
Pero si un mirar
me hiere al pasar,
sus labios de fuego
otra vez quiero besar.
Basta de carreras,
se acabó la timba.
¡Un final reñido
ya no vuelvo a ver!
Pero si algún pingo
llega a ser fija el domingo.




Por Uma Cabeça


Por uma cabeça
De um nobre potro
Que justo na raia
Afrouxa ao chegar,
E que ao regressar
Parece dizer:
Não esqueças, irmão,
Você sabe, não há que jogar.
Por uma cabeça,
Paquera de um dia
Daquela fútil
E falsa mulher
Que, ao jurar sorrindo,
O amor que está mentindo
Queime em uma fogueira
Todo o meu querer.


Por uma cabeça,
Todas as loucuras.
Sua boca que beija,
Apaga a tristeza,
Acalma a amargura.
Por uma cabeça,
Se ela me esquece,
Que me importa perder
Mil vezes a vida,
Para que viver?

Quantos desenganos,
Por uma cabeça.
Eu joguei mil vezes,
Não volto a insistir.
Mas se um olhar
Me atinge ao passar,
Seus lábios de fogo
Outra vez quero beijar.
Chega de corridas,
acabou o tesão.
Um final renhido
Já não volto a ver!
Mas se algum matungo
É barbada para o domingo
Jogo tudo que tenho.
Que vou fazer...!

www.youtube.com/watch?v=SJ1aTPM-dyE&feature=related