quinta-feira, 17 de maio de 2012


O brilho dos olhos ( RICARDO ROSSI )



Esqueci o teu nome,
não sei como te chamas...
não sei te chamar agora,
esqueci o teu nome.
Esqueci o meu nome,
não sei como me chamo...
nem sei chamar-me agora.
Só sei que a felicidade

não é o sorrir dos lábios,

mas o brilho dos olhos.



S. C. do Sul       17/05/2012 19:09h



Ricardo Rossi

sábado, 12 de maio de 2012


no entanto o que sei da vida?  ( RICARDO ROSSI)


no entanto o que sei da vida?
vivo o que em cada dia me vem de encontro...
não contesto o que recebo ,
de bom ou mau grado... recebo o que me vem.
o dia passa sobre meu ser e aguardo no sonho ser o que quero,

mas o sonho não me basta ou contenta,

ele se basta como sonho em sua própria vontade.

acordo e continuo em sonho a receber o que me dá a vida,
minha aflição se retém em meu olhar,

mas meu olhar não se espanta, vê apenas.

se a cada dia eu bebesse da fonte da sabedoria, seria um sábio.
o que sei agora me basta,

estou repleto de saberes e sei que de nada vale.

ter consciência do inútil é de grande utilidade,
e no entanto o que sei da vida?



S.C. do Sul    12/05/2012    11:17h



Ricardo Rossi

sábado, 5 de maio de 2012


Olhando devagar ( RICARDO ROSSI )



olhando devagar a profundidade do abismo... me vejo,
não sinto pena, nem outros sentimentos me afetam neste instante.
vejo o vulto que sei ser meu dentro do abismo, sei que ele se move.
ligo-me a ele através de um pensamento, eu o sinto... ele me sente,
estamos ligados ao sentido comum que nos mantém vivos.
dou a ele três goles  de café e algumas baforadas de tabaco em brasa.
ele se mantém e me mantém desperto,  mas como em um sonho acordado.
a paisagem que nos rodeia é a mesma que sempre foi, mas envolta de novos sentimentos.
ele desconhece o que sente... e eu sinto o que ele desconhece.
nos completamos e somos o mesmo, embora ele no abismo, e eu que o contemplo.
seus gestos de agora me levam a outros pensamento,
e me esqueço do ser que no abismo vive... ele se cala abandonado de mim,
mas aguarda pois o retorno sempre existe.
não toco-lhe as mãos... nunca lhe toquei  as mãos, apenas nosso olhar enxerga,
nos vemos qual o olhar de dois cegos.
nossos passos são os mesmos dentro dos mesmos sapatos.
e somos os dois em um só ser que habitamos,
um no abismo e o outro que contempla.



S.C. do Sul   05 de maio de 2012  09:34h



Ricardo rossi

sábado, 21 de abril de 2012

veja... pois vale ser visto!




Quem serei não me importa ( RICARDO ROSSI )



Me decomponho em pedaços de mim
para me fazer de novo no agora,
e no agora me desconheço,
minha imagem do espelho me reflete no ontem...

Não sou o presente, nem do passado me faço,
do futuro espero só o que ele me de sem exaspero... com calma.

Todas as lembranças do ontem se afastam na medida do tempo,
fragmentan-se em pó de memória até serem nada.

Não sou a soma do que em mim foi vivido,

sou a espera do que em mim aguarda.
Explicar-se é algo que beira entre a loucura e a vaidade,

então não se explica, apenas se é no que o ser se mostra.
Quem fui não me lembro,

quem sou não conheço,

quem serei não me importa!



S.C. do Sul   21/04/2012   09:26h



Ricardo Rossi

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Sossega, coração! Não desesperes! ( FERNANDO PESSOA )



Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.


Fernando Pessoa, 2-8-1933.

TENHO  APENAS PALAVRAS  ( RICARDO ROSSI )



Eu bem sei que escrevo para você,
e aguardo a expressão do seu sentir
ao que minhas palavras te buscou.
Não me importa se outros corações alcançou.


Ouço tua voz no silencio da tua palavra escrita,
e bebo de cada palavra dita
a essência do sentido que tu sentia.
Me sinto em êxtase na resposta aguardada.


Tua existência completa o eu,
eu completo o que tu calas a vida.
Minha vida é repartir o que tenho
e tenho apenas palavras.



Então vestindo das palavras que são os tesouros de um rei sem reino,
me completo em ti minha doce amiga!



S.C.do Sul   16/04/2012  09:16h



Ricardo Rossi