Já não posso fumar o que eu gosto!
Nem tão pouco o quanto eu gostaria,
me contento com quatro tragadas
seis vezes ao dia.
Sigo o rito de modo religioso.
Na tragada da fumaça de morte,
sugo o incenso divino com sabor do gozo!
e a brasa viva e quente, me diz ... “ DE REPENTE?...”
Mas não importa, se já Inês esta morta,
o leite derramado,
a vaca no brejo,
e o cego sem bengala!
O estrago do pulmão,
já é fato consumado!
S.André (sem data e hora)
Ricardo Rossi
Este blog serve para mim como um livro, nele divulgo as minhas poesias fotos de pinturas bem como meus pensamentos e sentimentos, a poesia para mim é como uma filha que criei com amor, que ao seu tempo foi para o mundo, sei que esta passará de mão em mão, é o destino da poesia ( cair na vida ) não me cabe rete-la. Talvez os meus sentimentos sejam comungado com outras pessoas que vejam o mundo pelos mesmos olhos que eu. Portanto dedico este blog a todas as pessoas que valorizam o amor.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Última Canção do Beco ( Manoel Bandeira )
Beco que cantei num dístico
Cheio de elipses mentais,
Beco das minhas tristezas,
Das minhas perplexidades
(Mas também dos meus amores,
Dos meus beijos, dos meus sonhos),
Adeus para nunca mais!
Vão demolir esta casa.
Mas meu quarto vai ficar,
Não como forma imperfeita
Neste mundo de aparências:
Vai ficar na eternidade,
Com seus livros, com seus quadros,
Intacto, suspenso no ar!
Beco de sarças de fogo,
De paixões sem amanhãs,
Quanta luz mediterrânea
No esplendor da adolescência
Não recolheu nestas pedras
O orvalho das madrugadas,
A pureza das manhãs!
Beco das minhas tristezas.
Não me envergonhei de ti!
Foste rua de mulheres?
Todas são filhas de Deus!
Dantes foram carmelitas...
E eras só de pobres quando,
Pobre, vim morar aqui.
Lapa - Lapa do Desterro -,
Lapa que tanto pecais!
(Mas quando bate seis horas,
Na primeira voz dos sinos,
Como na voz que anunciava
A conceição de Maria,
Que graças angelicais!)
Nossa Senhora do Carmo,
De lá de cima do altar,
Pede esmolas para os pobres,
Para mulheres tão tristes,
Para mulheres tão negras,
Que vêm nas portas do templo
De noite se agasalhar.
Beco que nasceste à sombra
De paredes conventuais,
És como a vida, que é santa
Pesar de todas as quedas.
Por isso te amei constante
E canto para dizer-te
Adeus para nunca mais!
Coisa di valia ( Ricardo Rossi )
Si o doto mi pregunta pru que to aqui, num sei,
sei qui minha mãe era Maria i meu pai Aresteu,
sei qui um dia pegamo um trem, i num sei di onde a gente vinha.
Viemo pra qui nesta cidade, i cum fio novo nu colo,
minha mãe mando eu i ganha dinhero; catando pape,
lata i otra coisa di valia.
Sai por esse mundão di adificio pra ganha du meu oficio,
Catei pape di muito, lata di um poco e coisa di valia,
nunca catei nada!
Andei noite i dia , i a cidade si esparramava,
i mais andava, mais perdia .
Nunca mais vi pai Aresteu, nunca mais ovi mãe Maria.
S.Paulo 20/09/2010 08:41h
Ricardo Rossi
sei qui minha mãe era Maria i meu pai Aresteu,
sei qui um dia pegamo um trem, i num sei di onde a gente vinha.
Viemo pra qui nesta cidade, i cum fio novo nu colo,
minha mãe mando eu i ganha dinhero; catando pape,
lata i otra coisa di valia.
Sai por esse mundão di adificio pra ganha du meu oficio,
Catei pape di muito, lata di um poco e coisa di valia,
nunca catei nada!
Andei noite i dia , i a cidade si esparramava,
i mais andava, mais perdia .
Nunca mais vi pai Aresteu, nunca mais ovi mãe Maria.
S.Paulo 20/09/2010 08:41h
Ricardo Rossi
Poema tirado de uma notícia de jornal ( Manoel Bamdeira )
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
O último poema
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
A morte absoluta
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
O último poema
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
A morte absoluta
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.
Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?
Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.
Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."
Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.
Evocação do Recife ( Manoel Bandeira )
Recife
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.
Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.
Não a Veneza americana
Não a Mauritsstad dos armadores das Índias Ocidentais
Não o Recife dos Mascates
Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois
— Recife das revoluções libertárias
Mas o Recife sem história nem literatura
Recife sem mais nada
Recife da minha infância
A rua da União onde eu brincava de chicote-queimado
e partia as vidraças da casa de dona Aninha Viegas
Totônio Rodrigues era muito velho e botava o pincenê
na ponta do nariz
Depois do jantar as famílias tomavam a calçada com cadeiras
mexericos namoros risadas
A gente brincava no meio da rua
Os meninos gritavam:
Coelho sai!
Não sai!
A distância as vozes macias das meninas politonavam:
Roseira dá-me uma rosa
Craveiro dá-me um botão
(Dessas rosas muita rosa
Terá morrido em botão...)
De repente
nos longos da noite
um sino
Uma pessoa grande dizia:
Fogo em Santo Antônio!
Outra contrariava: São José!
Totônio Rodrigues achava sempre que era são José.
Os homens punham o chapéu saíam fumando
E eu tinha raiva de ser menino porque não podia ir ver o fogo.
Rua da União...
Como eram lindos os montes das ruas da minha infância
Rua do Sol
(Tenho medo que hoje se chame de dr. Fulano de Tal)
Atrás de casa ficava a Rua da Saudade...
...onde se ia fumar escondido
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
— Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Banheiros de palha
Um dia eu vi uma moça nuinha no banho
Fiquei parado o coração batendo
Ela se riu
Foi o meu primeiro alumbramento
Cheia! As cheias! Barro boi morto árvores destroços redemoinho sumiu
E nos pegões da ponte do trem de ferro
os caboclos destemidos em jangadas de bananeiras
Novenas
Cavalhadas
E eu me deitei no colo da menina e ela começou
a passar a mão nos meus cabelos
Capiberibe
— Capiberibe
Rua da União onde todas as tardes passava a preta das bananas
Com o xale vistoso de pano da Costa
E o vendedor de roletes de cana
O de amendoim
que se chamava midubim e não era torrado era cozido
Me lembro de todos os pregões:
Ovos frescos e baratos
Dez ovos por uma pataca
Foi há muito tempo...
A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil
Ao passo que nós
O que fazemos
É macaquear
A sintaxe lusíada
A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem
Terras que não sabia onde ficavam
Recife...
Rua da União...
A casa de meu avô...
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecia impregnado de eternidade
Recife...
Meu avô morto.
Recife morto, Recife bom, Recife brasileiro
como a casa de meu avô.
domingo, 19 de setembro de 2010
Ojos color de los pozos ( musica Venezuelana ) Letra de RUMMY OLIVO
Amor querido me voy para los esteros,
ay los estero agua abajo y por la orilla
en mi bongo sin palanca con una vela sin brisa
al anochecer sin luna sobre el paisaje sin líneas
ante el azar sin apuestas de tu adiós sin despedida
cantándole sin reposo a mi guitarra sin prima
a tus ojos sin tristezas, ay sin tristezas mi canción sin alegría
ojos color del ensueño de la resaca azulita.
Pulsando con el reflejo, con el reflejo bordones de agua dormida
dejos de cuatro doliente la palma sola suspira
un hilo de alas yéndose angustia las lejanías
por los rumbos del te quiero, paso de la huella íngrima
sabana del nunca llegas, cunas del quizás me olvidas
arenales y arenales se me encerraron la picas
esta ausencia sin distancia, ay sin distancia en la canción se me abisma
Ojos color de los pozos de la resaca azulita.
Allá viene la amargura, ay la amargura por un callejón de dichas
más en ti se me perfuman las penas y la alegrías cariño lindo las penas y las alegrías
porque aquel cantar amargo puro anhelo y pura espina
te lo guardaste en el seno, nidal de las cosas intimas
donde tu fe se arremansa y tus querencias palpitan
y por eso bajo el éxtasis de las tardes pensativas
a rociarse en ti los sueños en ti los sueños se van mis cantas marchitas
Ojos color de los sueños de la resaca azulita
Ojalá hubiera cien llanos, ay cien llanos entre tu vida y la mía
y cien Apures cruzando por la sabana infinita, cariño mio por la sabana infinita
ni un potro para la ruta, ni una canoa en la orilla
ni un gallo en la media noche, ni un toldo en el mediodía
ni un cocuyo en las tinieblas, ni un retoño en las ceniza.
Entonces todo salvándolo, sereno te buscaría
pero esta ausencia sin lejos es para mi trocha valla, para mis angustias , pica
Y en el playón solitario, ay solitario donde el cantar se me abisma
no me atrevo ni a soñar, no me atrevo ni a soñar el cielo de tus pupilas
Pupilas color del alma de la resaca azulita
ay los estero agua abajo y por la orilla
en mi bongo sin palanca con una vela sin brisa
al anochecer sin luna sobre el paisaje sin líneas
ante el azar sin apuestas de tu adiós sin despedida
cantándole sin reposo a mi guitarra sin prima
a tus ojos sin tristezas, ay sin tristezas mi canción sin alegría
ojos color del ensueño de la resaca azulita.
Pulsando con el reflejo, con el reflejo bordones de agua dormida
dejos de cuatro doliente la palma sola suspira
un hilo de alas yéndose angustia las lejanías
por los rumbos del te quiero, paso de la huella íngrima
sabana del nunca llegas, cunas del quizás me olvidas
arenales y arenales se me encerraron la picas
esta ausencia sin distancia, ay sin distancia en la canción se me abisma
Ojos color de los pozos de la resaca azulita.
Allá viene la amargura, ay la amargura por un callejón de dichas
más en ti se me perfuman las penas y la alegrías cariño lindo las penas y las alegrías
porque aquel cantar amargo puro anhelo y pura espina
te lo guardaste en el seno, nidal de las cosas intimas
donde tu fe se arremansa y tus querencias palpitan
y por eso bajo el éxtasis de las tardes pensativas
a rociarse en ti los sueños en ti los sueños se van mis cantas marchitas
Ojos color de los sueños de la resaca azulita
Ojalá hubiera cien llanos, ay cien llanos entre tu vida y la mía
y cien Apures cruzando por la sabana infinita, cariño mio por la sabana infinita
ni un potro para la ruta, ni una canoa en la orilla
ni un gallo en la media noche, ni un toldo en el mediodía
ni un cocuyo en las tinieblas, ni un retoño en las ceniza.
Entonces todo salvándolo, sereno te buscaría
pero esta ausencia sin lejos es para mi trocha valla, para mis angustias , pica
Y en el playón solitario, ay solitario donde el cantar se me abisma
no me atrevo ni a soñar, no me atrevo ni a soñar el cielo de tus pupilas
Pupilas color del alma de la resaca azulita
sábado, 18 de setembro de 2010
Mansa solidão ( Ricardo Rossi )
Horas que divisam, sombras e claridades
das horas de saudades,
que habitam nos porões da alma.
Quem sabe; tem calma!
Quem conhece; tem verdade!
Quem vive; tem razão!
Deixo na saudade... Uma flor
em um vaso quebrado, que uma folha
verde só ostenta.
Ao vento que agita, sem luz que ilumina,
na sombra que fica... na mansa solidão.
Quem tem calma... tem razão e tem verdade!
S.Paulo 18/09/2010 13:15h ( H. A.C.Camargo )
Ricardo Rossi
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