domingo, 29 de janeiro de 2012


REFLEXO  ( RICARDO ROSSI )

Às vezes sentencio minha boca ao silêncio,
minha boca nada fala...
Mas meus dedos me escrevem,
minha boca de mim nada sabe,
mas meus dedos...  minha alma reflete!

S.C. do Sul     29/01/2012   11:18h

Ricardo Rossi
Rei do nada ( RICARDO ROSSI )



Sentir as coisas não é entender as coisas
é ver as coisas é saber o gosto e cheiro,
se frio ou quente ou pouco importa se frio ou quente,
se ha luz ou sombras sobre as coisas...

Tenho tantos pensamentos e idéias,

tudo guardo em meus bolsos

mas pouco pratico do que tenho.

E tenho coisas a fazer e não as faço,

deixo-as guardadas em meus bolsos

e sento-me  no trono da vida,

como um rei do nada!

Sentir as coisas não é conhecer as coisas!

Não ter intimidade com as coisas nos torna mais livres,

nada nos pertence e nada nos escraviza ao reino das posses.

Ser senhor das coisas nos leva a servidão da soberania,

é triste ser escravo do poder, estar preso ao poder, viver para ser poderoso.

Mais livre é quem nada tem...
Mais livre é quem nada deseja!


S.C. do Sul 29/01/2012  9:44h


Ricardo Rossi



(Ricardo Reis)
Fernando Pessoa


Quero dos Deuses

 

Quero dos deuses só que me não lembrem. Serei livre — sem dita nem desdita, Como o vento que é a vida Do ar que não é nada. O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos, Cada um com seu modo, nos oprimem. A quem deuses concedem Nada, tem liberdade.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Divino e inútil ( RICARDO ROSSI )

Quando vejo o mundo que me cerca,
penso ser o que no centro do universo existe!
é vão e tolo tal pensar.
O universo de mim não depende.
O tempo não se detém à minha espera,
o outono vem quando outono ha de ser.
Mas sou parte do que no universo existe
e o outono existe em meu olhar.
O tempo marca em mim seu passar,
sou parte de tudo que existe... sou parte de tudo que o sentir sente.
Sou eu quem o universo escolheu para ser o eu que aqui escreve.
Sou o divino e o inútil em uma mesma verdade,
estou presente no agora e estendo minhas mãos,
dedico meu olhar ao que se vê ,
estou aqui... onde o universo à partir de mim existe!

S.C. do Sul 28/01/2012 10:26 h

Ricardo Rossi

sábado, 21 de janeiro de 2012

EXTENSÃO  ( RICARDO ROSSI) ( Titulo dado por Débora)

tenho duas mãos e dedos que se alongam alem delas
tenho duas mãos e dedos que se alongam para receber o que me é dado
mas se alongam também para dar o que tenho
cerrar os dedos por entre as mãos é triste,
nada se tem a receber , nada se tem a dar
as mãos cerradas é a negação a vida.
Tenho dois olhos e um olhar que se estende alem deles,
tudo vejo e muitas vezes nada entendo.
O meu olhar é o rio que corre para o mar,
e desconhece o mar e seus mistérios,
mesmo em seu desconhecer avança para o mar e se funde a ele
e todas as águas se fazem uma só água.
Como tudo no universo é universo em seu intimo sentido,
tudo está no universo e todas as águas dos rios é o próprio mar.
Tenho dois ouvidos que captam os sons que me chegam
e todos os sons refletem o meu silencio.
Não sou as minhas palavras... nem o meu pensamento de agora.
Sou a água que é mar e que nada sabe do mar.
Sou o universo sem saber do universo.
sou os dedos que se alongam das minhas mãos.


S.C. do Sul 21/01/2012 8:44h

Ricardo Rossi

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Um breve lampejo interior ( RICARDO ROSSI )


Vejo hoje o amanhecer como uma obrigação do sol, uma obrigação da terra que gira em torno de si sem saber porque, ou com toda a sabedoria, gira.
Acordo abrindo os olhos com vontade de iniciar um novo sono,
e giro em torno de mim sem saber porque, ou com toda sabedoria.
E já não sei se tenho algum conhecimento, ou se de tanto conhecimento ter,
já desprezo conhecer outros.
Me seria melhor viver sem desejo, viver apenas por viver...sem com nada importar.
O mundo todo esta diante de mim... mas não desejo o mundo todo,
queria apenas um pequeno sentir, um breve lampejo interior que chamamos felicidade.


São Paulo 26 Setembro 2011 11:41h

Ricardo Rossi

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Te criei ao meu prazer ( Ricardo Rossi )

Por te amar te criei ao meu prazer,
E não te via porque te amava, espelhava em ti o que eu queria,
Por te amar contei todas as horas que contigo estava.
Não contei o tempo que sem ti vivia ( não vivia as horas vazias... passavam )
E te amava porque tu me levavas a me amar e sorrir quando eu queria chorar,
E te criei entre águas e ventos e nuvens em um céu cinzento.
Colhi das tuas mãos toda poesia,
Naufraguei em oceano no teu olhar em um mar de silêncio.
Perdi-me para te encontrar... te encontrei para perder-me.
E já não tenho no olhar o brilho que um dia vivi.
Ora sou o eu que desconheço... e a quem não pretendo encontrar,
Sou as lembranças de mim mesmo, sem glórias nem desprezos,
Sou nada em que tudo se fez,
E por nada ser... sou o tudo em um único ser!
E vazio de ti sou eu a metade de mim.
Meu olhar se perdeu de ti... tua voz é silêncio,
Teu gesto é saudade, teu nome é lembrança... esqueci-me de ti...
Lembrei-me de ti... perdi-me de mim.
E a vida segue ao seu viver,
Sem mais dores de amar... porque um dia te amei!

São Paulo 26/08/2011 11:02h

Ricardo Rossi

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ESTÁTUA ( Ricardo Rossi )

Vens em mim agora como sempre...
exististes em mim como eterna!
Porque não existes... te criei em meus sonhos,
não ouço o som de tua fala porque me fiz surdo.
E teus gestos não vejo porque me fiz cego.
Perdi o nome que te emoldurava... minha voz se fez muda.
Petrifiquei-me... e no íntimo... meu coração chora.
Não te procuro, porque rasguei meus mapas,
quebrei minha bússola... não sei o norte!
Em meus dias coleto as lembranças (belas e tristes),
recolho-as como quem colhe o que da terra nasce.
Em minhas noites vens aos meus sonhos,
nada me dizes porque sou surdo de tua voz.
Teu silêncio me acompanha, no sonho da noite... na luz do dia.
E já não digo em sussurro íntimo o teu nome... estou mudo.
E te vejo como flor (em fotografia)... colhida por outras mãos.
Mas te eternizei, e te deixarei para sempre diante de meu sentir...
agora és uma estátua!

S.Caetano do Sul 22/08/2011 09:52 h


Ricardo Rossi