domingo, 1 de agosto de 2010

FILME

E fui pensar em ti,
nesta hora improvável
nesta cidade estranha
de ruídos tão distantes.
E fui te buscar no
sorriso da lembrança,
deitado neste largo colchão
de vasta solidão.
Porque teu nome se
prendeu nas portas do passado,
e meus sonhos de hoje,
são filmes solitários
que assisto a cada noite dormindo,
e carrego por todo o dia acordado !

Cajati
17/06/06 – 00:40h
Ricardo Rossi

Não sou mais criança

Eu só queria chorar
como uma criança chora,
de perder o fôlego.
Mas já não posso.
Fiquei velho e meus sentimentos estão encruados.
Meus olhos estão mofados,
e meu peito esta ressequido.
A vida me veio em ondas, matou minha inocência.
Meus pés estão velhos, minhas mãos ficaram pesadas.
Meu olhar apenas mareja, um nó em mim se aperta.
Mas não choro...
A vida levou de mim os puros sentimentos,
não sou mais criança... não sei mais chorar!


S.C.Sul 01/08/2010 10:00h

Ricardo Rossi

TUA BOCA

A ausência da tua boca me machuca,
é longa a saudade e a vida é curta.
São teus olhos em mim
a luz...a claridade,
e meu viver sem ti
uma escura liberdade.
Liberdade que não quero,
e desconsidero de minha vida
os dias em que tu fostes
só a saudade.
A ausência de tua boca me machuca.

São Paulo
05/2006
Ricardo Rossi

DESALENTO

Este mundo está frio!
E todas as mulheres estão loucas.
E todos os homens estão vazios.
E todas as vozes estão roucas.
Os navios partiram
para o mar alto.
Pássaros migraram
para além do horizonte.
As águas perderam-se das fontes,
e nada neste mundo faz sentido!

Cajati
11/07/06 – 22:25h
Ricardo Rossi

METRÔ

Olhar moreno...raios difusos,
olhar moreno...furor oblíquo.
olhar moreno...atol perdido.
olhar perdido no oceano de olhares,
olhares em um mar cheio.
Almas...olhares flutuantes,
ao redor é sonho
e no meio...desesperança.
Olhar moreno, triste, solitário
perdido no oceano,
solto em um trem cheio de olhares solitários.

São Paulo
25/05/06 – 18:59h
Ricardo Rossi

PINTANDO A VIDA

Pinta com as cores
que traz no coração
o céu, o mar,
a flor e a emoção.

pinta com as cores
que traz na alma,
o mundo, a vida e o que reserva
a linha da tua palma.

pinta com as cores
que traz no olhar
a amizade, o afeto
e o desejo de sonhar.

pinta com as cores
que traz no teu amor,
tudo o que a vida te entrega
neste imenso painel,
que nasce aos teus pés
e vai ao infinito...mais longe ainda,
e com tuas cores tudo...
infinitamente...se ilumina !

São Paulo
15/12/06 - 06h:57 min
Ricardo Rossi

QUANDO O TEMPO PASSAR

Creio eu, que 45 anos após minha morte,
o mundo não lembrará
nem da minha sina,
nem da minha sorte.

Serei talvez?
Um anjo tocando lira,
ou no inferno
gritando minha ira.

Talvez seja eterno?
Ou quem sabe um pequeno tempo,
Até que em mim nasça o arrependimento,
Do que fiz bem feito ou do que fiz pecado.

E aí quem sabe?
Deus me sentencie de novo
a carregar pela vida
outro corpo cansado.

Santos
17/11/04- (45º aniversário de morte de Heitor Villa-Lobos)
Ricardo Rossi