quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Eu conheço a esperança
Ela é uma brisa fria que me toca a face
Todas as manhãs quando abro as janelas
E vejo o arco do horizonte que rodeia o mundo.

Ricardo Rossi 

S.C. do Sul 30/08/17 2;00 hrs.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O MURO CAIADO

vejo o branco que arde aos olhos e me leva a um outro tempo de mim.
um tempo em que a vida era apenas a sequencia de um dia após o outro,
não havia mistério nem angustias desnecessárias, apenas viver.
o tempo do puro branco passou sem eu ter notado,
tornei-me outro dentro de mim, mas o branco não mudou... meu olhar é que tornou-se outro.
há me fosse dada a graça de ser o olhar de antes, quando o branco da parede caiada exposto ao sol me ardia os olhos.
há fosse eu o mesmo menino que um dia viu o muro caiado a lhe arder os olhos,
mas o tempo tornou meu olhar mais duro, a cal do muro, desbotou.


Ricardo Rossi   São Caetano do sul  27/06/2014  22:14h

domingo, 20 de outubro de 2013

MEU INIMIGO ( RICARDO ROSSI )


MEU INIMIGO  ( RICARDO ROSSI )
 
eu vejo o muro, penso na paisagem alem do muro.
crio a paisagem ao meu prazer, ou a vontade dos meus sonhos.
o muro existe e a paisagem alem do muro eu crio,

mas só em meus pensamentos.
criar paisagens é apenas sonhar de olhos abertos e desconexos do muro.

mas nem sempre meus sonhos me agradam,

eles tem vontade própria e sonham o que o sonho quer,
sou espectador dos sonhos de minha cabeça,

é como ver a vida de outro em mim,

desconheço o outro...

sempre imaginei não ter inimigos,

mas tenho um grande inimigo, ele vive em mim,
é ele o senhor do muro, é ele quem determina os meus sonhos,

é soberano dos meus medos, magoas, rancores e das angustiosas guerras que travo em minha alma.

meu inimigo não tem nome, eu o vejo todos os dias a se rir de mim na imagem do espelho.
ele vive em minha alma e maltrata meu coração.

ele  me domina e me leva a ser quem eu não queria.
ele sou eu quando acovardo-me das atitudes, quando negligencio a mim mesmo,

quando crio guerras em minha mente, quando sentecio antes do julgamento,
quando julgo e não tenho este direito.

libertar-se do inimigo e derrubar o muro é a guerra das guerras,
libertar-se do jugo de si mesmo e ser leve e natural e simples

como um riacho que corre sem saber que é um riacho... apenas corre.  


SANTO ANDRÉ 20/10/2013         20:38h   RICARDO ROSSI 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


( Um eterno indeciso, que deseja mais que tudo saber de onde vim, para tentar quem sabe descobrir para onde estou indo. )

 

( para Djiovan Carvalho )

 

 

Não me importa para onde estou indo,

o que importa é o caminho que escolhi,

pois o mistério é não saber aonde chegarei,

mas amar a viagem que vivenciei!

 

S.C. do Sul 05/09/2012  17:41 h

Ricardo Rossi









Amar

 

( Carlos Drummond de Andrade )

 

Que pode uma criatura senão,

entre criaturas, amar?

amar e esquecer,

amar e malamar,

amar, desamar, amar?

sempre, e até de olhos vidrados amar?

.

Que pode, pergunto, o ser amoroso,

sozinho, em rotação universal, senão

rodar também, e amar?

amar o que o mar traz à praia,

o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,

é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

.

Amar solenemente as palmas do deserto,

o que é entrega ou adoração expectante,

e amar o inóspito, o cru,

um vaso sem flor, um chão de ferro,

e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave

de rapina.Este o nosso destino: amor sem conta,

distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,

doação ilimitada a uma completa ingratidão,

e na concha vazia do amor a procura medrosa,

paciente, de mais e mais amor.

.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa

amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

FRAGMENTOS  ( RICARDO ROSSI )

 

l

trago-lhe solene aos teus olhos... minha palavra escrita,
com ternura que te comove,
com dor que te corroe por dentro,

e com o tempo que já te esquece.

 

ll

Minha palavra já não tem direção,
nem ao menos dimensão do que nela carrega.

Meu escrever sem sentido planejado... apenas escreve.

Escrevo ao que em minha boca proíbo,
e por isso sou covarde!

E por coragem de escrever o que não digo, sou meu herói por um instante!

 

lll

Ter medo é ter a coragem de conhecer ao medo e conviver com o próprio medo,
dormir com ele a cada noite, acordar com ele e beijar-lhe a face.

Tenho medo de mim no amanhã, e da grande escuridão que é o amanhã,
antes me vi herói... hoje sou covarde!

Escondo-me de minha sombra e dos pensamentos lógicos,
componho meus pensamentos na harmonia da loucura desencontrada,

me enterro com as cinzas do cinzeiro e me acendo em viva brasa.
E sei já não ser mais um inteiro,

contento-me com os fragmentos que restaram.

 

S.C. do Sul  05/09/2012  16:15 h

Ricardo Rossi

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


Deus sussurra  ( Ricardo Rossi )



Existir é estar vivo e consciente,
ser presente diante do tudo que existe,

existir não é nada alem do instante

da duvida de estar presente diante de tudo.

Cercamos de consciência a tudo que cremos,
cremos em tudo para termos sentido de existir,

mas nada importa, ser presente diante de tudo

não faz verdade na existência.

Sou o meu nome, mas meu nome não me faz em eu.
Sou eu o ser que habita alem da minha imagem,

e é a consciência do presente e de tudo que me cerca,

e Deus sussurra fazendo-me cócegas aos ouvidos.



S.C. do Sul  16/08/2012   18:44h



Ricardo Rossi

terça-feira, 17 de julho de 2012


NÃO DÓI NADA   ( RICARDO ROSSI )



Quando me permite o silencio,
sou um eu em meu próprio pensar.

Mas se profiro palavras,

sou outro eu que desconheço,
o silencio me faz verdadeiro.

As palavras retratam um eu imaginário,
ser realidade requer conhecimento...

intimo, dolorido e triste.

Ser a aparência das mentiras que nos veste,
não dói nada.



S.C. do Sul   17/07/2012   10:52h

Ricardo Rossi

domingo, 1 de julho de 2012


Queria ver aos campos ( RICARDO ROSSI )





Queria ver aos campos, meu olhar de verde se perder,
mas concreto de cinzas em meus olhos tenho a ferver,

Vejo agora com meu ser sem vontade de entender,

o cinza, que de verde se colore em meu pensar.


Quero o verde no agora, e o cinza quando não precisar.

quero ver aos campos sem neles me enxergar,

não sou parte  da natureza, a qual deseja meu olhar.

sou o sentir do cinza que de verde me deixo enganar.



S.C. do Sul    01/07/2012  10:33h



Ricardo Rossi

DOCE É O ENGANO  ( RICARDO ROSSI )





DOCE É O ENGANO DE QUEM PENSA QUE NÃO SE ENGANA.
FINGIDOS SOMOS DE NOSSA FELICIDADE EM FRAGMENTOS INSTANTÂNEOS,

NÃO SOMOS O QUE QUEREMOS, NEM SOMOS O QUE PENSAMOS,
SOMOS O REFLEXO DE NÓS MESMOS, QUANDO PENSAMOS EM NADA.
VIVER É CAMINHAR PELO TEMPO A SE COMPLETAR EM PENSAMENTOS,

E A VIDA VAI ADIANTE DE QUE PENSAMOS SEM PENSAR A FRENTE,

CRIAM-SE OS CASTELOS DE VENTOS, E OS VENTOS OS DESFAZEM,

É NATURAL  E NÃO DOI EM NADA CRIAR PENSAMENTOS...

TORMENTOS E OUTROS ENGANOS,

CAMINHAR PELO TEMPO É O SENTIDO MAIS VIVO QUE VIVEMOS,

E QUANDO QUEREMOS O AMIGO MAIS VERDADEIRO, BUSCAMOS NOSSA SOMBRA.

SEREMOS DESAMPARADOS SE NÃO SENTIRMOS NOSSO INSTANTE PRESENTE,

E O TEMPO QUE FAZ CADA INSTANTE ÚNICO E PRESENTE,

TAMBEM NOS RETIRA O TEMPO DE VIVERMOS,

SUBTRAIDO DA LINHA VIVA DE TEMPO... CADA SENTIDO TORNA-SE MEMÓRIA,

E NO PASSADO FICA SEM AFETAR NO AGORA O QUE EM EU, EU QUERIA.

COMPLETO-ME COM O NADA, POR SER TUDO O QUE TENHO.

DOCE É O ENGANO, DE QUEM SE ENGANA COM A VIDA COMO SE ETERNA FOSSE!




S.C. do SUL    01/07/2012             09:48h



RICARDO ROSSI

domingo, 3 de junho de 2012


O amor que tem razão   ( RICARDO ROSSI )





Amaremos o que amamos até ao instante em que o amor não mais importe.
E em verdade o amor não importa,

viver a amar é se amar pouco,
cada coisa tem o amor que merece ao seu tempo.

O tempo de amar e de ser amado é breve,
restam as memórias do tempo que amamos ao que amamos,

e quando o amor se vai, dá-se lugar a um amor que vem.
Ao seu tempo o amor nos chega, como uma data esperada,

marcada a roda de vermelho em um calendário na parede pendurado.

Ao seu tempo vem o dia e a noite,
ao seu tempo vem as flores e ao seu tempo as flores partem.

A mãe gera no ventre o filho que ao seu tempo vem,
preparando o tempo de amar o que o ventre escondeu.

Amar é se apegar ao que não nos pertence,

sofrer é se apegar ao amor que não mais nos quer.



O amor que tem razão, é o amor que ama sem razão.



S.C. do Sul   03/06/2012  19:20h



Ricardo Rossi

quinta-feira, 31 de maio de 2012


Ser contente é um jeito de ser  ( RICARDO ROSSI )



Quando a noite chega, não sou mais triste do que fui ao dia,
nem mais contente do que fui ao amanhecer , sou o que sou,
sem dar-me conta de mim, amanheço eu,  sendo eu ao meio dia,

e sou eu quem sonha os meus sonhos.
No entanto desconheço o meu sentir,

os sentidos estão pregados em mim, e dão asas aos pensamentos,

pensar é fugir do eu e se refugiar a um outro eu mais perfeito,
prefiro ao que penso de mim, ao eu que conheço.

O mundo a roda de mim me faz, mesmo quando contra minha vontade,

meus pensamentos fazem o mundo a minha roda, e sou mais contente.

Ser feliz é um instante... ser contente é um jeito de ser,
se é contente mesmo quando se é triste,

o ser é intimo, não se revela do lado de fora.
Olhar ao relógio e seguir ponteiros é perder-se do tempo,

o tempo vale ao sentido do tempo, não ao rodar ponteiros.
Vem o dia e breve vem a noite e os sonhos que sonhamos e perdemos pela manhã.

Ser feliz é guardar pelas manhãs os sonhos e a noite dormir abraçado com eles.
ser contente é um jeito de ser!



S.C. do Sul   31/05/2012    18:29h



Ricardo Rossi

sexta-feira, 25 de maio de 2012


Na garrafa   ( RICARDO ROSSI )



Queria escrever como quem confessa um pecado,
sem padre que me ouça, nem penitencias de rezas que não sei,
apenas desamarrando do meu ser o que de peso levo sem sentir,

pois pecados são naturais como as arvores que brotam do chão,
pecar a todos cabem, faço a minha cota sem dar-me conta,

queria escrever como quem peca sem ter medo do juízo que um dia se fará,

ai de mim que um dia verei a face dura do juiz,
e dita as palavras da sentença... que esperança resta?


Queria pecar como quem escreve sem esperança,
uma carta na garrafa que vaga no mar,

sem destino ou descanso... ao sabor de sal das ondas,

deixo nas palavras uma cota de pecados,

uma  carta que vagueia em um mar de pecados,

queria escrever apenas escrever e mais nada,
palavras sem sentido...

sentidos emudecidos...
que vagueiam na garrafa.



S.C. do Sul     25/05/2012   19:51h



Ricardo Rossi

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Que pena tenho dos meus olhos ( RICARDO ROSSI )





Eu confesso que olho muito para as coisas,
mas confesso com certa tristeza que pouco enxergo das coisas.
Olhar a tudo não nos faz melhor,
enxergar o que vemos nos muda,
quando enxergamos ao que vemos fazemos parte do que é visto,
tocar ao que enxergamos, nos liga fisicamente ao ser,
e somos por um instante um único ser.
E no entanto eu apenas olho as coisas,
e fico pobre das coisas por não toca-las,
me basto com o olhar do instante e logo me esqueço,
e tudo ao que vi nada se prendeu ao meu sentir.

Ando pelas ruas das cidades,
vejo asfalto postes iluminados automóveis apressados
gente que passa gente que caminha ao meu lado
arvores no caminho, gente no caminho,
caminhos sem destino,
destinos desencontrados.

E eu no centro de tudo não enxergando nada.
Que pena tenho dos meus olhos!


S.C. do Sul    23/05/2012     18:29h


Ricardo Rossi



domingo, 20 de maio de 2012


Eu me lembro que te amo ( RICARDO ROSSI)



Estou sem argumento comigo mesmo,
mas não me questionei em nada...
estou internamente mudo.

Vejo o tempo... ele passa e não me importo.

não me importo, quero crer que não me importo...



Um dia eu disse... te amo,
eu poderia dizer muitas vezes... te amo!
e meu amar seria vulgar... por tanto dizer... te amo!

então as vezes digo baixinho,

só para meu coração lembrar... te amo.

Meu amar é vulgar nas esquinas... mas te amo.

Meu amor é à toa, mesmo assim... te amo.

Te amo de madrugada em silêncio,

em sonhos e pensamentos,

nas viagens pelas estradas.

E quando estou quieto, tão quieto...  

eu me lembro que... te amo.



S.C. do sul    20/05/2012    14:54h



Ricardo Rossi

Viagem  ( RICARDO ROSSI)



A vida é uma viagem

onde temos a passagem

só de ida... não ha volta.
Por isto precisamos ter calma,
ver o desenrolar da vida
como em um filme onde somos o personagem de nós mesmos,

interpretar  a si próprio é o segredo,

não importa o enredo,
temos que viver a nossa história.



S.C.Do Sul   20/05/ 2012                 11:13h



Ricardo Rossi

quinta-feira, 17 de maio de 2012


O brilho dos olhos ( RICARDO ROSSI )



Esqueci o teu nome,
não sei como te chamas...
não sei te chamar agora,
esqueci o teu nome.
Esqueci o meu nome,
não sei como me chamo...
nem sei chamar-me agora.
Só sei que a felicidade

não é o sorrir dos lábios,

mas o brilho dos olhos.



S. C. do Sul       17/05/2012 19:09h



Ricardo Rossi

sábado, 12 de maio de 2012


no entanto o que sei da vida?  ( RICARDO ROSSI)


no entanto o que sei da vida?
vivo o que em cada dia me vem de encontro...
não contesto o que recebo ,
de bom ou mau grado... recebo o que me vem.
o dia passa sobre meu ser e aguardo no sonho ser o que quero,

mas o sonho não me basta ou contenta,

ele se basta como sonho em sua própria vontade.

acordo e continuo em sonho a receber o que me dá a vida,
minha aflição se retém em meu olhar,

mas meu olhar não se espanta, vê apenas.

se a cada dia eu bebesse da fonte da sabedoria, seria um sábio.
o que sei agora me basta,

estou repleto de saberes e sei que de nada vale.

ter consciência do inútil é de grande utilidade,
e no entanto o que sei da vida?



S.C. do Sul    12/05/2012    11:17h



Ricardo Rossi

sábado, 5 de maio de 2012


Olhando devagar ( RICARDO ROSSI )



olhando devagar a profundidade do abismo... me vejo,
não sinto pena, nem outros sentimentos me afetam neste instante.
vejo o vulto que sei ser meu dentro do abismo, sei que ele se move.
ligo-me a ele através de um pensamento, eu o sinto... ele me sente,
estamos ligados ao sentido comum que nos mantém vivos.
dou a ele três goles  de café e algumas baforadas de tabaco em brasa.
ele se mantém e me mantém desperto,  mas como em um sonho acordado.
a paisagem que nos rodeia é a mesma que sempre foi, mas envolta de novos sentimentos.
ele desconhece o que sente... e eu sinto o que ele desconhece.
nos completamos e somos o mesmo, embora ele no abismo, e eu que o contemplo.
seus gestos de agora me levam a outros pensamento,
e me esqueço do ser que no abismo vive... ele se cala abandonado de mim,
mas aguarda pois o retorno sempre existe.
não toco-lhe as mãos... nunca lhe toquei  as mãos, apenas nosso olhar enxerga,
nos vemos qual o olhar de dois cegos.
nossos passos são os mesmos dentro dos mesmos sapatos.
e somos os dois em um só ser que habitamos,
um no abismo e o outro que contempla.



S.C. do Sul   05 de maio de 2012  09:34h



Ricardo rossi